quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Década de 60 o "cinema novo"

O Cinema nacional teve seu instante de amadurecimento com o Cinema Novo na década de 60. Vários filmes ganharam destaque nos cenários nacional e internacional. Pode-se dizer que o marco inicial desta época de prosperidade é o lançamento do filme “O Pagador de Promessas”, escrito e dirigido por Anselmo Duarte. Foi o primeiro filme nacional a ser premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.

Sinópse
Zé do Burro - Leonardo Villar - e sua mulher Rosa - Glória Menezes - vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metadade de seu sítio, depois começa uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Sua "via crucis" se torna mais angustiante ao ver que a esposa se enamora com o cafetão - Geraldo Del Rey - e, para piorar as coisas, o padre Olavo - Dionísio Azevedo - nega-lhe entrar na "sua" Igreja, já que Zé fizera promessa num terreiro de "macumba".

Música tema de abertura: Iluminada, com gravação de Maria Bethânia - Visualizar Maria Bethânia:
Iluminada

Quando você me acendeu


Fiquei toda arrepiada

Vi claridade no breu

Minha alma iluminada

Senti uma febre danada

Perdi minha hora marcada

Abri minha porta fechada

E o meu corpo tremeu

Eu estava apaixonada, meu Deus



Quando você me entendeu

Eu não entendia nada

Minha vida renasceu

E amei estar sendo amada

Senti uma febre danada

Perdi minha hora marcada

Abri minha porta fechada

E o amor se rendeu

Quero ser sua namorada, meu Deus



Seja lá quem te mandou

Meu amor te recebeu

E hoje o céu de sua estrela

Menino, sou eu

Menino, sou eu



Seja lá quem te mandou

Meu amor te recebeu

E hoje o céu de sua estrela

menino, sou eu

Menino, sou eu


Com o lema “ uma câmara na mão e uma idéia na cabeça”, outros diretores impulsionam o Cinema Novo. Os filmes deste período começam a retratar a vida real, mostrando a pobreza, a miséria e os problemas sociais, dentro de uma perspectiva crítica, contestadora e cultural. Neste contexto, aparecerem filmes como “ Deus e o diabo na terra do Sol” e “Terra em transe”, ambos do diretor Glauber Rocha. Outro cineasta que também merece destaque neste período é Carlos Diegues, autor de Ganga Zumba.

Sinópse:
O gancaceiro Manuel e sua mulher Rosa são obrigados a viajar pelo sertão, após ele ter matado o patrão. Em sua jornada, eles acabam cruzando com um Deus negro, Um diabo loiro e um temível homem. Esta é considerada a obra-prima de Glauber Rocha, um dos mais importantes cienastas brasileiros da nossa história.

Música tema:
Gluber Rocha/Sérgio Ricardo

Anunciando ao público, marcante e lento:




Vou contar uma história

Na verdade e imaginação

Abra bem os seus olhos

Pra enxergar com atenção

É coisa de Deus e Diabo

Lá nos confins do sertão



Narrativo, lento:



Manuel e rosa

Vivia no sertão

Trabalhando a terra

Com as própria mão

Até que um dia -pelo sim pelo não-

Entrou na vida deles

O santo Sebastião

Trazia a bondade nos olhos

Jesus Cristo no coração



Agitado, na feira:



Sebastião nasceu do fogo

No mês de fevereiro

Anunciando que a desgraça

Ía queimar o mundo inteiro

Mas que ele podia salvar



 Glauber Rocha



Nome completo: Glauber de Andrade Rocha

Data de nascimento 14 de março de 1939

Local de nascimento Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Data de falecimento 22 de agosto de 1981 (42 anos)

Local de falecimento Rio de Janeiro, Brasil




Ocupação: Diretor, roteirista, ator, escritor


Festival de Cannes

Prêmio da Crítica (FIPRESCI):

1967 Terra em Transe

Melhor Diretor:

1968 O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro

Melhor curta-metragem:

1977 Di Glauber



Cacá Diegues.